Aqueles olhos meio castanhos, meio verdes, juntos de um olhar penetrante que só era possível sustentar dada a beleza que carregava É óbvio, eu tava meio bêbado, Violeta dançava como se não tivesse que usar as pernas pra se sustentar no dia seguinte, e o Caio tinha me chamado pra fumar um cigarro.
Na luz turva e enfumaçada, a beleza dele acentuava-se. O sorriso era de certa forma, magnético, e os dentes meio tortos, faziam-me pensar que a perfeição as vezes não passava de um conceito bobo.
Enquanto Caio distraia-se com um furinho em sua calça gasta, eu acendi o cigarro.
- Achei que a Violeta vinha também. - era um tom quase pesaroso, mas ele sorriu e me pediu o isqueiro - Vocês vem sempre aqui?
- É nosso inferninho favorito. Venho com a Vi sempre que precisamos dançar até saber quem a gente é.
Toda vez que ele sorria, os olhos pareciam faiscar. Talvez fosse o álcool mostrando a que veio.
Violeta veio pela porta radiante, parecendo reluzir, mesmo com toda fumaça em volta. As mãos ocupadas com uma bebida azul elétrico e um cigarro não aceso. Quando se aproximou, enredou os dedos nos cachinhos pretos do Caio, e me ofereceu o copo. O gosto era extremamente doce, porém, agradável. Ela acendeu o cigarro tocando-o na brasa do meu. Pelo olhar, ela já tava bêbada e sabia que em breve eu também ia estar. Bebi mais um gole enquanto ela sentava-se entre nós dois.
- E vocês já iam começar sem mim? - Perguntou rindo.
- De fato a gente começou, mas a pausa pro cigarro é sagrada - E dei um longo trago.
Caio mantinha-se calado, por vezes sorrindo para o que dizíamos, ainda uma incógnita. Depois da terceira cerveja, ele se mostrou mais bêbad... sociável. Falou das músicas que gostava de ouvir enquanto pintava suas aquarelas.
Ele e a Vi juntaram-se, já bêbados, e narraram a epopeia sobre o dia em que se conheceram, a quantidade de álcool barato, e as condições adversas que envolviam uma chuva forte e um baseado.
Estávamos trocando shotguns. Eu pra Vi, ela pro Caio, e o Caio novamente pra mim. Completamente perdidos em beijos esfumaçados.
E vitoriosamente Violeta tira da bolsa, um baseado amassado, porém funcional, e nós nos esquivamos dos seguranças para disfarçar enquanto ficávamos agradavelmente leves.
Estamos na pista, somos de todas as cores e ritmos, rodopiando com This Charming Man ao fundo.
E é quase de manhã quando morrem as últimas palavras no som, na voz do Thiago Pethit:
Amigo, escute bem o que eu digo
Gaste seu tempo comigo.
Tire toda minha roupa,
Borra o batom da minha boca,
Venha se perder por aqui.
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