segunda-feira, 7 de março de 2016

~wave 1

- Hey vocês, prestem atenção aqui - duas palmas, para chamar a atenção.- Eu tenho a resposta !

Eu dissera aquilo em tom animado. Os dois me olhavam agora, quase com total atenção. Caio cuida para que as cinzas do cigarro caiam na xícara vazia de café, um pouco disperso e esfumaçado. Violeta passa lentamente a mão nas fibras do tapete, mas seus olhos estão em mim.

Na minha mão, descansam 3 quadradinhos de papel meticulosamente cortados. Eu separo o meu, e com a ponta dos dedos, levo o segundo pedaço delicadamente até a ponta da língua da Violeta. Um choque de energia parece emanar dali.

- E o meu? - É a pergunta que Caio faz, apagando o cigarro dentro da xícara e juntando-se de corpo e alma a nós.

Violeta o beija e posso ver seus pelos nos braços dele eriçando-se. Fecho os olhos por um momento, ouço as calmas respirações irem se intensificando, lenta e perigosamente.

Meus dedos encaminham-se para a mão, e agora, novamente, a ponta da língua. Desta vez, do Caio. O toque dos lábios vira um rápido beijo. As mãos da Violeta envolvem minha nuca, elétricas, puxando-me para si, e me tomando os lábios. Nossos papeis se invertem. Sinto a mão do Caio percorrer meu torso, suavemente. Violeta entrega-me. E eu vou de bom grado. Lenta e sutilmente, ambos envolvem-me em um abraço agradavelmente sufocante, caloroso. As três bocas encontram-se num abraço desordenado e molhado. Todos os papéis desmancham-se no momento. Não há homem nem mulher, só o abraço infindo, agradavelmente quente.

As cores da tv ligada escorrem para o chão, ainda luminescentes, e envolvem todo corpo presente naquela dança. A tinta torna os corpos quase indistinguíveis, a não ser pelo tato. Pupilas dilatadas, adrenalina talvez? Quanto tempo se passou?

Não existe tempo naquele momento, horas infindas, como um dia de veraneio que nunca termina. Mergulho em Caio, afogo-me em Violeta. Somos tão pequenos, mas tão grandes ao mesmo tempo e amo-os tanto naquele momento, que gostaria que o mesmo jamais se fosse.

É tudo tão lindo, a textura dos dois me é tão estranha e tão familiar ao mesmo tempo.

Caio acende um cigarro para tomar fôlego. Sopra-nos a fumaça de forma divertida e descompromissada. Nos dá beijos cinzas, com o tabaco misturado ao seu gosto único. É um sabor exótico. Olho para os dois, lânguido. Amo olhar para eles. Perceber Violeta sentindo cada fibra do tapete com as pontas dos dedos e assim encontrando os dedos de Caio. Perceber os dedos dele retribuindo com um carinho sutil o toque. É tão inacreditável e belo. Leve.

Nos recostamos. As cores escorrem da tela da TV ligada como tinta. Talvez ela nem estivesse ligada afinal. Quem liga?

Nos abraçamos, aconchegando-se uns nos outros, até ficarmos confortáveis. Entre o sonho e a realidade. A fumaça do ultimo cigarro do Caio eleva-se da xícara vazia, em espirais silenciosas.
Caio me dá um beijinho rápido na testa e aperta o abraço. As mãos envolvem lentamente o cabelo de Violeta, que respira tão profunda e calmamente que poderia estar adormecida.

Olho novamente para a tv: Ela estava desligada. Adormeço logo em seguida.

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