- Então é isso Violeta? – a
lágrima que escorreu parecia fria – Arrasa logo o meu coração. Ela também chorava, em silêncio. A sala já tava escura. O cigarro na minha mão era só um pontinho laranja na penumbra que se formava. O ar estava estático na varanda.
- Você ainda pensa em mim enquanto tá fodendo com ele?
- Nunca foi isso. Você sabe que não. – e as lágrimas agora rolavam indiscretamente, no rosto dela e no meu.
- Você falou que eu era seu .
-E você foi, você foi, mas agora não é mais.
Ela me beijou. Eu também já não segurava o choro, e era impossível não retribuir o beijo. Foi seco e silencioso.
- Me diz que eu sou seu, mais uma vez, por favor– Supliquei.
A cabeça encenava o sinal claro
da negação. Eu não podia ver seus olhos, mas eu sabia que estavam mais claros e
vermelhos. Todo aquele tempo construindo um castelo de núvem, feito pra
devanescer na primeira brisa do outono.
Nós sabíamos do risco. Segurei a mão dela, num ultimo e vão esforço.
Dizem que as pessoas ficam mais bonitas quando estão de saída. A lembrança dela na porta, o olhar lívido na luz branca do corredor, o barulho da porta se fechando, enquanto eu voltava novamente a já quase completa escuridão.
A briga durou todo um entardecer, e agora restava um cigarro aceso e a ausência da luz. Não lembro se adormeci ou só fiquei catatônico. Na manhã seguinte , uma mensagem do Caio na caixa postal, ligando pra saber de mim, de nós.
O primeiro sol de outono foi difícil de entender, parecia frio, branco, sem vida. Estaria minha realidade quebrada? Perdi a conta dos cigarros, mas o chão repleto de cinzas gritava pra mim que eu passara da conta a muito.
Dizem que as pessoas ficam mais bonitas quando estão de saída. A lembrança dela na porta, o olhar lívido na luz branca do corredor, o barulho da porta se fechando, enquanto eu voltava novamente a já quase completa escuridão.
A briga durou todo um entardecer, e agora restava um cigarro aceso e a ausência da luz. Não lembro se adormeci ou só fiquei catatônico. Na manhã seguinte , uma mensagem do Caio na caixa postal, ligando pra saber de mim, de nós.
O primeiro sol de outono foi difícil de entender, parecia frio, branco, sem vida. Estaria minha realidade quebrada? Perdi a conta dos cigarros, mas o chão repleto de cinzas gritava pra mim que eu passara da conta a muito.
Violeta fora-se, levando um
pedaço meu com ela, sem saber se podia ou não.
Deixou claros os motivos da partida. Nós sabiamos dos riscos, nos
arriscamos, e perdemos. Todos perderam. Mas nela havia um sentimento
desgarrado, de nascimento cruel, a desconfiança de um sentimento menor.
***
A pior parte de ter sido amaldiçoado com a poesia muito jovem, foi que virou uma espécie de arte criar expectativas extremamente infundadas. A exemplo: a de que Violeta um dia voltaria aos nossos braços e tudo seria como sempre tinha sido.
A pior parte de ter sido amaldiçoado com a poesia muito jovem, foi que virou uma espécie de arte criar expectativas extremamente infundadas. A exemplo: a de que Violeta um dia voltaria aos nossos braços e tudo seria como sempre tinha sido.
Mas o que era Violeta, se não o
melhor enigma de todos. Gehemnis. Jamais a procurei, até a vir chegar, jamais
impedi-a na sua partida. Aprender a
lidar com o temperamento imprevisível era a segurança de que tudo sempre
correria bem. E um erro também. Não dá pra segurar o ar com as mãos.
Porém Caio permaneceu. Apareceu
por aqui uns dois dias depois. É incrível como esse tipo de quebra tem a
habilidade incomun de distorcer a passagem de tempo. Tivemos abraços longos,
mas insatisfatórios. Beijos meio vazios. Sexo quase sem calor, sem motivo,
morno. Era odioso o fato de tudo ser tão outonal, como Violeta ao vento, sem
rumo.
Caio permaneceu, fazendo-me sentir em seus abraços e em nosso silêncio velado, que a perda também era dele, deixando o outono seguir e e virando as boas lembranças em folhas secas, desprendendo-se ao vento mais suave, o vento que vem premeditando o temporal.
Caio permaneceu, fazendo-me sentir em seus abraços e em nosso silêncio velado, que a perda também era dele, deixando o outono seguir e e virando as boas lembranças em folhas secas, desprendendo-se ao vento mais suave, o vento que vem premeditando o temporal.