Quando desperto, a tv ainda está desligada, e o dia avança
devagar. Não há sinais de Violeta, tampouco de Caio. Estar agora acordado, era
de fato perceber que tudo fora real. As cores escorrendo da tv, o sexo
sintetizado em uma epifania de desordens sucessivas e prazerosas, os cheiros,
os gostos, a sensação do toque.
Eu saio da sala pela porta de correr de vidro, para minha primeira luz do dia,
pois o sol em si já estava quase à pino. As cores parecem de fato mais vivas,
mais palatáveis ao corpo e mente. Sinto um leve aroma de café, sobrepondo o
cheiro do dia, da piscina, do sol na grama verde. Claro, Caio e Violeta estavam
na cozinha.
Violeta me recebe com um beijo no rosto e uma xícara de café. Seus cabelos
agora parecem um pouco violetas, ou é só efeito do ácido? No final eu prefiri
não querer saber. Caio estava de costas, preparando algo. O almoço.
- Hoje temos o dia inteiro para nos matarmos de tanto pegar sol, o que tu acha?
- Eu acho que sim, muito bem e obrigado.
- Achei que já estava implícito que ficaríamos ao sol, mas não agora, primeiro
vamos comer. Eu preparei o nosso café, ou almoço, ou brunch.- Acho que esta foi
a maior frase de Caio, desde que nos conhecemos. Violeta dizia que ele podia
falar bastante... quando queria. O que não vem ao caso.
Caio preparara pra nós um tipo de torrada especial. Eggs in a Basket, mas segundo ele, esse
era o nome chique para algo que consistia apenas em um ovo frito dentro de uma
torrada. E era delicioso, obviamente. Junto com o café, aquela pareceu, por muito
tempo, a melhor refeição que eu faria na vida.
E a tarde veio, e nossos corpos dançaram na água, entrelaçando-se em beijos,
carinhos. Um mergulhando no outro, sem se importar com o possível futuro
afogamento. Mas não era hora de pensar nisso. Caio fuma um cigarro na
espreguiçadeira enquanto eu e Violeta apostamos quem prende mais a respiração.
- De quem é esse sítio Violeta? – Caio perguntou, educadamente, com medo de
parecer muito intrusivo.
- Meu avô deixou de herança pro meu pai, mas ele não usa quase nunca. Nós
costumamos vir aqui as vezes, mas nem é nada demais.
- Na verdade é sim Vi. Não tem som de carros passando, gente falando o tempo
inteiro. É como se o ar tivesse parado. –
E era mesmo. Em poucos lugares poderia-se encontrar tamanha paz. E o sítiozinho
era até bem simples. Uma casa pequena, quase rústica, com uma sala e copa, uma
cozinha, um quarto com cama de casal e um guarda roupa. As janelas eram de
vidro, pois o pai de Violeta trocou todas quando herdou, além de dar uma
modernizada nas portas também, e adicionar a alegria de todos as nossas visitas
ao local. A Piscina. Que nós, por acharmos o termo piscina comum demais, decidimos
chamar de “ O Lago”, que também era comum, mas era nosso, e nós éramos péssimos
com nomes.
E por horas infindas nós ficamos ao sol. É claro, Violeta trouxera um baseado, e nós
ficamos agradavelmente macios e agradáveis ao toque. E eu já estava tão cansado
que estava prestes a adormecer e sonhar que estava pintando Caio e Violeta com
meu onírico pincel usando as cores que eu não sei o nome. Eu estava tendo uma epifania? Como Violeta sempre dizia,
epifania é quando você dá vazão ao desejo. E ela não poderia estar mais certa.
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