Observá-lo tornou-se uma das minhas atividades favoritas. Eram infindáveis os fins de tarde em que contentava-me apenas em olhá-lo. Contemplativo, com um cigarro na mão. Era minha visão favorita dele. E era reconfortante.
- O que tu tá olhando?
- Você , uai.
- Senta aqui.
- Vem pra cá você, o vento tá ótimo.
Aos poucos, o ar melancólico pós partida de Violeta ia dissipando-se. A saudade ainda martelava, mas agora parecia fraca, menos cinza e mais rarefeita. Uma espécie de coração que batia devagar demais.
E foi observando Caio que enfim, compreendi que ele não era de fato uma rocha de silêncio e mistério. Ele só era sucinto nas palavras, e existencialista em demasia nos pensamentos. Um ultra romântico, sem dúvidas.
Já faz algum tempo que Caio não vai embora, e isso não me incomoda. A casa é um festival de cinzas e bitucas pelo chão, e o ar é embaçado pela fumaça que nunca vai embora totalmente. Na mesa algumas xícaras tornaram-se cinzeiros para sempre. O café é forte como cada abraço, e junto com um infinito de cigarros, tiram a força da boca a sensação doce dos beijos.
E o final do outono ganhava um tom visual feliz e melancólico ao mesmo tempo.
Quando eu me sento com ele no sofá, aproveitando a listra de luz, agora bem fininha, ele segura minha mão, e me dá o cigarro pela metade. Uma imagem estática perfeita, se não fosse a fumaça do cigarro, sempre subindo.
- Tem um tempo que eu quero te dizer algo. - Ele diz, virando seus enormes olhos pra mim. Eles estão estranhamente claros, quase iluminados eu diria. Estamos perto e eu posso ver todos os detalhes irregulares da sua íris.
- E eu estou te ouvindo, pode falar.
- Tem certeza? Já tem um tempo que eu quero dizer isso, só não sei como.
- Você pode sempre me dizer o que quiser, quando quiser Caio.
- Ok.
- Ok?
- Eu amo você.
E entre o espaço de tempo que eu ouvi isso, e o esboço da minha reação, a campainha do apartamento tocou. E Caio levantou-se de supetão, o que não era exatamente de seu feitio, para atender. Segundos depois, ele e Violeta passam pelo umbral. Dazed and Confused do Led Zeppelin toca mentalmente pra mim, enquanto me sinto caindo, girando e girando e girando pela espiral que é o amor.
E o final do outono ganhava um tom visual feliz e melancólico ao mesmo tempo.
Quando eu me sento com ele no sofá, aproveitando a listra de luz, agora bem fininha, ele segura minha mão, e me dá o cigarro pela metade. Uma imagem estática perfeita, se não fosse a fumaça do cigarro, sempre subindo.
- Tem um tempo que eu quero te dizer algo. - Ele diz, virando seus enormes olhos pra mim. Eles estão estranhamente claros, quase iluminados eu diria. Estamos perto e eu posso ver todos os detalhes irregulares da sua íris.
- E eu estou te ouvindo, pode falar.
- Tem certeza? Já tem um tempo que eu quero dizer isso, só não sei como.
- Você pode sempre me dizer o que quiser, quando quiser Caio.
- Ok.
- Ok?
- Eu amo você.
E entre o espaço de tempo que eu ouvi isso, e o esboço da minha reação, a campainha do apartamento tocou. E Caio levantou-se de supetão, o que não era exatamente de seu feitio, para atender. Segundos depois, ele e Violeta passam pelo umbral. Dazed and Confused do Led Zeppelin toca mentalmente pra mim, enquanto me sinto caindo, girando e girando e girando pela espiral que é o amor.
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